Brasília,
Brazil
June 18, 2004
Nádia
Faggiani
Repórter da Agência
Brasil
A decisão
final do painel da Organização Mundial do Comércio (OMC) que deu
hoje ganho de causa ao Brasil em relação aos subsídios
norte-americanos ao algodão não está vinculada a futuras
negociações agrícolas no mercado internacional, de acordo com o
Ministério das Relações Exteriores.
Segundo o coordenador-geral de Contenciosos do Itamarati,
ministro Roberto Carvalho de Azevedo, o que a decisão da OMC
aponta é que é que os Estados Unidos têm que cumprir com as
regras e obrigações já assumidas pelo país. “Não deve haver
nenhuma vinculação entre obrigações já existentes e outras que
venham a ser acordadas na Rodada de Doha da OMC”, disse Roberto
Carvalho.
O Itamarati esclarece que os subsídios domésticos não são
proibidos, mas não devem causar prejuízo grave a outros países
membros da OMC. A Cláusula de Paz foi um dos temas questionados
pelo Brasil no painel da OMC. Segundo o governo brasileiro, ela
não é aplicada para proteger países pobres. A Cláusula de Paz
determinava que, mesmo que houvessem subsídios e os preços
fossem depreciados em relação ao comércio internacional, nenhum
país poderia reclamar na OMC se esses subsídios fossem
inferiores aos definidos em 1992. Hoje, com o fim da Cláusula de
Paz, os países podem recorrer na OMC pela redução dos subsídios.
Assim como no caso do algodão, o governo brasileiro também
aguarda resultados positivos em relação ao painel preliminar da
OMC sobre subsídios ao açúcar, fornecidos pela União Européia
aos produtores europeus. O painel sobre o açúcar será discutido
no final de julho. A diferença em relação ao algodão, segundo o
governo brasileiro, é que o açúcar é uma commodity produzida
essencialmente por países desenvolvidos de maneira competitiva,
enquanto o algodão é a base da produção agrícola dos países em
desenvolvimento.
Decision
favorable to Brazil on cotton will not affect future
negotiations
Brasília,
June 21, 2004 (Agência Brasil) - The final decision, Friday
(18), by the World Trade Organization (WTO) panel granting
Brazil a victory on the question of American cotton subsidies
will have no impact on future international agricultural market
negotiations, according to the Ministry of Foreign Relations.
According to the Ministry's Coordinator-General in charge of
Litigation, Minister Roberto Carvalho de Azevedo, what the WTO
decision determines is that the United States must comply with
the rules and obligations it has already assumed. "There ought
not to be any link between already existing obligations and
others that may be adopted during the WTO's Doha Round,"
Carvalho affirmed.
The Ministry clarifies that domestic subsidies are not
prohibited, but they should not cause serious harm to other WTO
member-countries. The Peace Clause was one of the points
questioned by Brazil at the WTO panel. According to the
Brazilian government, this provision was not used to protect
poor countries. The Peace Clause stipulated that, even if
subsidies existed and prices were lowered vis-à-vis the world
market, no country could complain to the WTO if these subsidies
were inferior to the levels defined in 1992. Currently, with the
termination of the Peace Clause, countries can appeal to the WTO
to have subsidies reduced.
Therefore, as in the case of cotton, the Brazilian government
awaits a positive outcome from the WTO preliminary panel on
sugar subsidies granted by the European Union to European
producers. The panel on sugar will hold discussions at the end
of July. The difference between sugar and cotton, according to
the Brazilian government, is that sugar is essentially a
commodity produced competitively by developed countries, while
cotton is a basis of agricultural production in developing
countries.
Reporter: Nádia Faggiana |